Sistema online com dados da Amazônia entra no ar até janeiro
O sistema online com informações geográficas sobre a Amazônia desenvolvido pela OTCA (Organización del Tratado de Cooperación Amazónica) deve ser aberto ao público entre dezembro deste ano e janeiro do ano que vem, disse Dante Ramos, consultor do órgão nesta sexta-feira, na Latinoware, V Conferência Latino-Americana de Software Livre que está acontecendo em Foz do Iguaçu, no Paraná.
A idéia do GEOTCA é reunir informações sobre biodiversidade, áreas naturais, áreas indígenas, uso da fauna e da flora e outras informações oriundas de todos os países membros, que possuem a Amazônia em seus territórios: Brasil, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Venezuela, Guiana e Suriname (a Guiana Francesa também possui área da floresta, mas não faz parte da organização por questões políticas que Ramos não quis comentar).
O site, cujo endereço será www.geotca.otca.org.br, conterá agenda, fórum, bancos de dados, informes regionais e locais e estará disponível em português, inglês, espanhol e holandês (idioma falado no Suriname).
Desenvolvido com base em um outro sistema com informações da Amazônia chamado I3geo, o GEOTCA entrou no ar em outubro do ano passado e ficou aberto para testes e inserção de dados até abril deste ano, conta Ramos. Ele foi desenvolvido com software livre (não precisa pagar licenças) e recebeu um investimento de US$ 50 mil, segundo Ramos. De lá para cá, o acesso ao site está restrito apenas a representantes dos governos dos países membros da OCTA, para aprovação das informações inseridas no sistema.
As fontes usadas vêm de órgãoss oficiais de governos, instituições especializadas e ONGs. "Cada país é autônomo e decide quais informações devem e quais não devem ser publicadas no sistema", diz Ramos. Ou seja, se for descoberta uma mina de ouro de 20 km no Suriname e o governo de lá não quiser informar o mundo sobre isso, a OCTA não irá interferir nos interesses e na política do país.
Um dos países que conta com dificuldades para disponibilizar suas informações é a Venezuela.
Ele afirma que, no entanto, o principal problema não é a transparência, mas a falta de documentos e informações cartográficas digitalizados e de dados georreferenciados. Na Bolívia, por exemplo, tem muitas informações sobre suas reservas indígenas e de povos afastados, mas outras informações estão disponíveis somente em papel.
Os casos do Suriname e da Guiana são mais graves: os dois países ainda estão em andamento com projetos para delimitar territórios indígenas. "O processo está mais adiantado no Brasil (muito a frente dos outros), no Peru e na Colômbia", diz Ramos.




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